Adolescentes consideram cyberbullying um dos maiores riscos da internet
Pesquisa mostra que 36% dos jovens conhece alguém que já foi agredido ou humilhado pela web
Publicado em 07/05/2011 23:21
PRISCILLA NERY
Especial para o RROnline*
Uma pesquisa realizada pela ONG SaferNet, especializada na segurança de crianças e jovens na internet, mostrou que 36% dos mais de 2.000 entrevistados conhecem alguém que já foi vítima de humilhações ou agressões via web – o famoso bullying virtual ou cyberbullying. A organização ouviu meninos e meninas com idade entre 10 e 17 anos. O estudo também mostrou que 16% das crianças e adolescentes acreditam que este tipo de crime é um dos maiores riscos da rede.
"Apesar de o número de jovens que já sofreram bullying ser reduzido, eles estão mais vulneráveis ao cyberbullying, uma vez que algumas pessoas têm comportamentos online que não teriam pessoalmente", disse Rodrigo Nejm, psicólogo e diretor de prevenção da SaferNet.
Embora não exista um perfil para vítimas de cyberbullying, elas em geral são as mesmas que sofrem bullying: aquelas que têm algo diferente em meio a um grupo de alunos costumam ser alvos das agressões. “Já vi gente ofendendo pessoas pela internet por elas serem mais quietas, não terem muitas amizades”, contou Luana Rocha, de 14 anos. A adolescente declarou que uma pessoa conhecida já foi vítima de agressões via web, através de recados enviados pelo Orkut. “Ela tinha medo de os agressores passarem das ofensas para algo mais grave, por isso não chegou a denunciar”, disse.
De acordo com o psicólogo Fernando Elias José, especialista em educação, recados desqualificadores em redes sociais, exposição de fotos e exposição da vitima através de e-mail com dados pessoais são os tipos mais corriqueiros de cyberbullying. “Em se tratando de endereços virtuais, o mais comum de acontecer é em sites de relacionamento como Orkut e Facebook, através de conversas pelo MSN e Twitter, em que agressor e vítima estão completamente expostos, sem qualquer tipo de proteção ou amparo”, explicou.
Keith Castelline, de 13 anos, tem uma amiga que é vítima constante de bullying ao vivo e pela rede. “Ela está meio acima do peso, por isso alguns meninos ficam mandando mensagens humilhantes pela internet. Ela já respondeu algumas vezes, mas não adiantou. Eles continuam colocando apelidos maldosos”, afirmou.
Rodrigo Nejm alerta que nunca se deve responder às provocações, pois essa atitude só vai gerar mais ofensas. “As vítimas não devem responder nem entrar na disputa, pois isso poderá intensificar a violência. O correto é pedir ajuda para um adulto de confiança, que auxilie o jovem para gravar e registrar o cyberbullying no caso de ser necessário processar judicialmente o agressor”, recomendou.
Consequências - O apoio dos pais ou outros adultos é importante para que a vítima supere as agressões. No geral, a humilhação, seja ao vivo ou pela internet, deixa marcas dolorosas. “A vítima pode ficar com sequelas psicológicas e estigmatizada em razão das agressões, e ter dificuldades de estabelecer novos contatos com pessoas”, disse o psicólogo Fernando Elias José.
A atenção dos responsáveis também é indispensável para que o cyberbullying seja identificado, já que adolescentes que sofrem com ele podem ficar retraídos e com medo de expor a situação. Portanto, mudanças bruscas no comportamento de crianças e jovens frente ao computador devem ser consideradas e analisadas. Em casos mais graves, pode ser necessário buscar a ajuda de um psicólogo.
Quando falamos de garotos e garotas, a chave para evitar agressões e problemas é a orientação. Isso porque adolescentes que praticam cyberbullying podem não ter consciência de que estão cometendo um crime. “Eles devem entender a dimensão pública da internet, ali não é ‘terra de ninguém’. O comportamento online deve envolver cidadania, respeito e educação”, falou Rodrigo Nejm.
E o mesmo conceito vale para as vítimas, que devem ter muito cuidado ao divulgar informações na rede, sabendo que várias pessoas desconhecidas terão acesso àqueles dados. E, assim como na vida real, esses indivíduos podem ou não ter más intenções.
Especial para o RROnline*
Uma pesquisa realizada pela ONG SaferNet, especializada na segurança de crianças e jovens na internet, mostrou que 36% dos mais de 2.000 entrevistados conhecem alguém que já foi vítima de humilhações ou agressões via web – o famoso bullying virtual ou cyberbullying. A organização ouviu meninos e meninas com idade entre 10 e 17 anos. O estudo também mostrou que 16% das crianças e adolescentes acreditam que este tipo de crime é um dos maiores riscos da rede.
"Apesar de o número de jovens que já sofreram bullying ser reduzido, eles estão mais vulneráveis ao cyberbullying, uma vez que algumas pessoas têm comportamentos online que não teriam pessoalmente", disse Rodrigo Nejm, psicólogo e diretor de prevenção da SaferNet.
Embora não exista um perfil para vítimas de cyberbullying, elas em geral são as mesmas que sofrem bullying: aquelas que têm algo diferente em meio a um grupo de alunos costumam ser alvos das agressões. “Já vi gente ofendendo pessoas pela internet por elas serem mais quietas, não terem muitas amizades”, contou Luana Rocha, de 14 anos. A adolescente declarou que uma pessoa conhecida já foi vítima de agressões via web, através de recados enviados pelo Orkut. “Ela tinha medo de os agressores passarem das ofensas para algo mais grave, por isso não chegou a denunciar”, disse.
De acordo com o psicólogo Fernando Elias José, especialista em educação, recados desqualificadores em redes sociais, exposição de fotos e exposição da vitima através de e-mail com dados pessoais são os tipos mais corriqueiros de cyberbullying. “Em se tratando de endereços virtuais, o mais comum de acontecer é em sites de relacionamento como Orkut e Facebook, através de conversas pelo MSN e Twitter, em que agressor e vítima estão completamente expostos, sem qualquer tipo de proteção ou amparo”, explicou.
Keith Castelline, de 13 anos, tem uma amiga que é vítima constante de bullying ao vivo e pela rede. “Ela está meio acima do peso, por isso alguns meninos ficam mandando mensagens humilhantes pela internet. Ela já respondeu algumas vezes, mas não adiantou. Eles continuam colocando apelidos maldosos”, afirmou.
Rodrigo Nejm alerta que nunca se deve responder às provocações, pois essa atitude só vai gerar mais ofensas. “As vítimas não devem responder nem entrar na disputa, pois isso poderá intensificar a violência. O correto é pedir ajuda para um adulto de confiança, que auxilie o jovem para gravar e registrar o cyberbullying no caso de ser necessário processar judicialmente o agressor”, recomendou.
Consequências - O apoio dos pais ou outros adultos é importante para que a vítima supere as agressões. No geral, a humilhação, seja ao vivo ou pela internet, deixa marcas dolorosas. “A vítima pode ficar com sequelas psicológicas e estigmatizada em razão das agressões, e ter dificuldades de estabelecer novos contatos com pessoas”, disse o psicólogo Fernando Elias José.
A atenção dos responsáveis também é indispensável para que o cyberbullying seja identificado, já que adolescentes que sofrem com ele podem ficar retraídos e com medo de expor a situação. Portanto, mudanças bruscas no comportamento de crianças e jovens frente ao computador devem ser consideradas e analisadas. Em casos mais graves, pode ser necessário buscar a ajuda de um psicólogo.
Quando falamos de garotos e garotas, a chave para evitar agressões e problemas é a orientação. Isso porque adolescentes que praticam cyberbullying podem não ter consciência de que estão cometendo um crime. “Eles devem entender a dimensão pública da internet, ali não é ‘terra de ninguém’. O comportamento online deve envolver cidadania, respeito e educação”, falou Rodrigo Nejm.
E o mesmo conceito vale para as vítimas, que devem ter muito cuidado ao divulgar informações na rede, sabendo que várias pessoas desconhecidas terão acesso àqueles dados. E, assim como na vida real, esses indivíduos podem ou não ter más intenções.



Você já deve ter percebido que no seu grupo de amigos – seja na escola, no prédio ou na rua em que você mora – cada um possui uma característica diferente. Um é mais baixo, outro, mais gordo, uma usa óculos, outro é ruivo, uns são tímidos e outros falam pelos cotovelos. Por causa dessas características, é comum surgirem brincadeiras de mau gosto e apelidos maldosos que criticam desde os aspectos físicos até a maneira como o outro se veste. Alguns exemplos são: “rolha de poço”, “quatro-olhos”, “ferrugem”, “girafa”, entre outros. Mas, muitas vezes, essas simples brincadeiras ultrapassam o limite e perdem a graça. Dos apelidos surgem outras formas de intimidação e humilhação que causam constrangimento.
Orkut, Facebook, Msn, Twitter. Todas essas redes sociais fazem parte do nosso dia a dia. Nelas podemos manter contatos com os amigos da escola, postar fotos, enviar links, criar comunidades sobre a nossa banda predileta, etc. No entanto, muitas pessoas utilizam essas redes como meios de fazer bullying.
De acordo com a delegada Hellen Sardenberg, da Delegacia de Crimes Virtuais do Rio de Janeiro, algumas formas de bullying realizadas no espaço virtual podem configurar crimes contra a honra, como injúria, quando se ofende a honra subjetiva de outra pessoa; calúnia, quando acusamos alguém injustamente e difamação, quando ofendemos a reputação de outro na sociedade. Em casos extremos o bullying deve ser tratado como crime e, no ano passado, a delegacia recebeu três denúncias. Pode parecer pouco, mas para a delegada “esse número é alto para um fenômeno recente. No entanto, antes de levar o caso à delegacia é importante que o problema seja debatido, primeiro, em casa ou no ambiente escolar”, explica Hellen Sardenberg.